Existe uma narrativa cultural que diz que o homem deve "aguentar" — que o cansaço é normal, que perder o interesse por coisas que antes amava faz parte da idade, que a irritabilidade e a falta de energia são inevitáveis depois dos 40. Essa narrativa tem um custo alto. Em muitos casos, esses sintomas têm causa identificável e tratamento eficaz.
O que é testosterona e por que ela importa?
A testosterona é o principal hormônio sexual masculino, produzido principalmente nos testículos. Ela regula a libido, a produção de espermatozoides, a massa muscular e óssea, a distribuição de gordura corporal, a produção de glóbulos vermelhos, o humor e a energia. Não é apenas um "hormônio de ginásio" — é um regulador central do metabolismo e da saúde masculina.
A partir dos 30 anos, os níveis de testosterona caem naturalmente cerca de 1 a 2% ao ano. Em alguns homens, essa queda é mais acentuada, levando ao que chamamos de hipogonadismo — a deficiência clinicamente relevante de testosterona.
Sinais de que a testosterona pode estar baixa
- Fadiga persistente e sensação de "falta de energia" mesmo descansando bem
- Queda do desejo sexual (libido reduzida)
- Disfunção erétil ou piora da qualidade das ereções
- Perda de massa muscular e força, mesmo mantendo atividade física
- Aumento de gordura abdominal, especialmente a gordura visceral
- Irritabilidade, labilidade emocional, dificuldade de concentração
- Depressão ou humor rebaixado sem causa aparente
- Redução de pelos corporais e faciais
- Ondas de calor e suores noturnos
- Diminuição do volume testicular
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico de hipogonadismo exige a combinação de sintomas clínicos E confirmação laboratorial. Um único exame de testosterona total pode não ser suficiente — é preciso avaliar também a testosterona livre, a SHBG (proteína que liga a testosterona), o LH, o FSH e outros marcadores para entender a causa e a extensão do quadro.
A avaliação deve ser feita preferencialmente pela manhã, quando os níveis estão mais altos, e repetida para confirmação antes de qualquer decisão terapêutica.
Reposição de testosterona: quando é indicada?
A terapia de reposição de testosterona (TRT) é indicada quando há confirmação laboratorial de deficiência associada a sintomas que impactam a qualidade de vida. Ela pode ser feita por gel tópico, injeções ou implantes subcutâneos — a escolha depende do perfil do paciente.
Contraindicações absolutas incluem câncer de próstata ativo, câncer de mama e desejo de paternidade futura (a TRT suprime a espermatogênese). Por isso, a avaliação urológica completa antes do início é indispensável.
O que não é reposição de testosterona
TRT prescrita por médico, em doses fisiológicas, monitorada periodicamente, não é o mesmo que uso de esteroides anabolizantes. É uma terapia médica com indicação criteriosa, acompanhamento regular de PSA, hematócrito e outros marcadores, e com objetivo de restaurar níveis normais — não suprafisiológicos.
Além da testosterona: saúde masculina integral
A consulta urológica é a oportunidade para uma avaliação completa da saúde masculina — próstata, função urinária, saúde sexual e rastreamento de condições que raramente dão sinais precoces, como o câncer de próstata. O homem que cuida da saúde preventivamente vive mais e melhor.
